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segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Time europeu nos bastidores, brasileiro dentro de campo.

O São Paulo é de longe o time que melhor contrata no Brasil. Com um planejamento europeu e dirigentes eficientes, o time do São Paulo adotou a mesma tática do governo dos EUA: não negocia com terrorista. Leia-se terrorista aquele jogador que faz a famosa gangorra contratual, põe medo no clube porque vai embora e é craque, aumenta o contrato por 18 anos e ganha o triplo. Assim o São Paulo fez com Grafite e com Amoroso. Talvez por ter sofrido uma amarga lição no caso Ricardinho, um trauma que fez o São Paulo repensar na sua tática de RH.
Ambos jogadores do tricolor nas conquistas de 2005 foram embora do clube por uma certa inflexibilidade do clube. Perderam Amoroso e Grafite, mas quem são esses mesmo? Todo mundo se lembra dos dois mas ninguém mais comenta nada, apesar da bela passagem pelo time. Porque? Porque agora o São Paulo tem Alex Dias e Thiago Ribeiro. Porque quando o time contrata bem e a diretoria é competente, jogador não deixa saudades. Porque o time sempre vai bem e se renova. A recuperação tricolor do desmanche aconteceu em tempo recorde e agora o São Paulo encosta nos líderes do Paulista com um time redondo.
Não à toa que, nos últimos anos o São Paulo "trouxe" ao mundo nomes como Kaká, França, Luís Fabiano, Rogério Ceni, Cicinho, Lugano e Denílson. Enquanto a diretoria do Corinthians chuta parcerias e gasta 137 milhões com um elenco que ainda não mostra resultados à altura do investimento, o São Paulo que formou o time campeão de 2005 gastou 5 milhões. Planejamento. Algo com que os clubes brasileiros não sabem lidar, não entendem o futebol como produto e o time como marca, assim esperam que o Zico venha nascer nas categorias de base do time e ganhar tudo sozinho. Com um investimento praticamente bizarro, o São Paulo montou um CT de treinamento para as bases do time melhor que o CT de muito time da primeira divisão.
Pra não dizer que só o São Paulo é assim, outros dois exemplos interessantes são o Paulista e o Goiás. O Paulista sempre desova porque não pode bancar suas revelações, mas como ele se mantém? O Goiás, em uma esfera maior faz o mesmo. Interessante é notar que jogadores como Danilo, Josué, Fabão e Grafite vieram todos da mesma leva direto do Goiás. Elogiados pelo próprio homem forte do futebol no São Paulo, o Juvenal Juvêncio, o presidente do Goiás é o responsável por tal façanha.
Ser líder no futebol ou em qualquer mercado significa inovação e qualidade. De qualidade o futebol brasileiro não pode se queixar, mas as diretorias são grandes repartições públicas. Quando um time com estrutura copia dos europeus o que eles têm de melhor, ou seja, os bastidores e aproveita o sem número de talentos natos no país, algo que não tem cópia lá fora, acontece o que aconteceu com o São Paulo do ano passado. Melhor do estado, melhor das Américas, melhor do mundo.
Enquanto ficamos com saudades do Amoroso pelo belo futebol, o São Paulo rumina os planejamentos de 2007 e planeja, com fundos próprios, construir um novo campeão. O que parecia impossível é feito. Parabéns não só ao São Paulo, que já tem uma bela estrutura, mas a todos os clubes profissionais de verdade que crescem por mãos próprias.
Não gosto de parcerias no Brasil, acho que na maioria dos casos é preguiça dos Euricos Mirandas espalhados pelas sedes dos clubes.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Acho que cabe um comentário sobre o Palmeiras, que e um dos poucos times brasileiros que tem MUITO dinheiro em caixa. Só dinheiro, por que, jogador...

11:19 AM  

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