Força Mestre.

Abro aqui um espaço para falar de uma das finas flores do futebol. Telê Santana. Sou são paulino e por mais criança que fosse, lembro com força de 92 e 93. Pelo lúdico do que a infância nos dá e pelo amor que o futebol nos provém, vivi uma cena bonita. Uma vez no aeroporto, encontrei com Telê Santana. Meu padrasto, palmeirense, me pegou pelo braço correndo e me levou ao encontro do mestre. Eu achei mentira Telê, que eu não poderia imaginar fora dos campos, na minha frente e pedi seu autógrafo. Aquela imagem me marcou e também me marcou Telê Santana pela história que me dera como torcedor para saber do meu time o amor que possuo.
O camisa 7 do Fluminense, que depois veio a ser técnico do Galo, Grêmio e depois São Paulo, além da Amarelinha, fez história. Nas seleções campeãs morais de 82 e 86, reuniu um dos times mais fantásticos que já possuiu o futebol brasileiro. No São Paulo, Telê deu nome internacional ao time e conquistou o mundo duas vezes. Nós, torcedores do futebol brasileiro, não podemos esquecer do Mestre. Pela sua história no futebol, pelas broncas nos craques, Telê não aturava erro de passe, pelas exigências de entrega ao time, pela artilharia e pela porradaria ao adversário que ele promovia. Telê que contrapõe os atuais técnicos coniventes com as regalias de atletas, ele que era duro como comandante e não aceitava menos que o máximo, que vi contra o Milan, contra o Barcelona, lição que vejo hoje nas mãos de Muricy, na época seu assistente que dirigiu o expressinho com a mesma fidelidade que Telê tinha ao futebol agressivo. Telê que contrasta com Mourinhos, Luxemburgos, Leões, Capellos, Rijkaards e Cia, porque para Telê a estrela era a bola. O resto, todo o resto, Raí, Sócrates, Falcão, Cerezzo e etc. eram finos acompanhantes dela.
Hoje Telê sofre de septicemia, em estado grave. Vítima de erros médicos do passado que lhe renderam a isquemia, Telê teve amputada a perna esquerda e sofre sem independência e sem a chama vital que ele transmitia ao futebol. Por isso, o mestre merece toda força do mundo, toda ajuda e se tudo der certo toda a esperança que ele devolveu às torcidas retornará a ele para ganhar um jogo de um jogador só. Se ficar, Telê, vamos torcer pela melhora e que ele possa ainda ver mais homenagens feitas em seu nome por torcedores de diferentes times, mas principalmente do meu tricolor querido que o sabe mestre e nas conquistas da Libertadores e Mundial de 2005 ouvi o estádio e os torcedores presentes no aeroporto gritarem Olê Olê Olê Olê, Telê, Telê, para que assim ele entenda a grandiosidade do próprio trabalho e tenha a paz de uma missão cumprida. Se for, iremos todos um pouco com ele. Para que fique marcada a imagem de Autuori, maestro das conquistas, feliz pela lembrança ao mestre e humilde, sabendo que ali ele era continuidade de uma história começada. Para que a bandeira singela que habita até os jogos mais morosos do São Paulo, num canto flamulando singular com os dizeres "Valeu Mestre" deixe viva a vontade de Telê de ver gol. Que na mente dos torcedores mais velhos que viram fique a saudade do reitor da maestria no gramado, nos que viram ainda crianças, como eu, fique a lição de paixão pelo futebol bem jogado, nos que não viram, que fique o desejo de ver Telê eterno no Tricolor, seja no Grêmio, Fluminense ou São Paulo e Galo e aos outros torcedores, que fique o respeito pelo Mestre do futebol fora das linhas. Que fique ainda, como maior lição, a eterna busca do gol e a insistência no mesmo, com classe e afinco, que vi em Miller, Raí, Palinha e até o Pintado ele transformou em bom volante. Mas que fique, principalmente, a paz que Telê merece ter consigo mesmo por entender que é, além de uma das figuras mais importantes do futebol mundial, um exemplo de vivacidade e verdadeira vitória. Exemplo vivo do futebol brasileiro que não deve aceitar não ser melhor do mundo, nem essa palhaçada financeira e organizacional que hoje é, desperdiçando tantos talentos para além mar. Que viva ainda em Muricy e talvez em outros técnicos as aulas dele. Telê Santana, que eu tive a oportunidade de ganhar um autógrafo no aeroporto ainda pequeno, merece toda homenagem de um craque, porque pra mim Telê foi um Pelé. Vai Telê, força mestre.



