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sexta-feira, junho 09, 2006

15 argumentos para explicar o Brasil.

Sem espetáculo, capacidade ociosa de produção e com um receio de um time que parece nunca ter disputado a competição. Vamos aos fatos. É cedo para dizer qual será o comportamento "oficial" da seleção, ainda porque há vários fatores que nessa fase de classificação influem no jogo da seleção.

1. A seleção joga com times de menor expressão, que vem fechados e embolam o setor ofensivo, dificultando o jogo.
2. Para piorar o primeiro fator, Ronaldo e Adriano têm características parecidas de fixos e num esquema fortemente defensivo do adversário fica fácil de anular as bolas que chegam aos dois, que já as recebem completamente cobertos de marcação.
3. Ronaldo não está em boa forma e não é mais ágil como antes, usa agora da força. Isso obriga Adriano a sair para buscar jogo, coisa que ele não é especialista e a mobilidade que ele tenta dar não é de qualidade. Piorando ainda mais, a imprensa não facilita com o garotinho e a cobrança é evidente.
4. Com a imaturidade do sistema defensivo brasileiro, ainda inseguro e com alguns detalhes a acertar, os laterais não sobem muito com medo da famosa bola nas costas, fazendo os meias do quadrado abrirem demais e se distanciarem dos atacantes.
5. Ronaldinho Gaúcho exerce funções de marcação, uma coisa que ele não faz no Barcelona e não raras vezes cede seu lugar às subidas de Zé Roberto, onde ele cobre a marcação. Apesar da liberdade que Parreira declarou ter dado, o próprio jogador tem um senso de responsabilidade e não se aventura tanto, com uma certa timidez.
6. Emerson não joga como primeiro volante, mais atrás. Sua posição real é como marcador de meio-campo mais à frente. Essa posição ideal era de Edimílson.
7. Os laterais continuam sofrendo do mesmo mal na minha opinião: a deficiência no essencial de suas funções. Correm como 10 anos atrás, tocam com qualidade e apóiam bem, mas até o momento não acertaram um cruzamento, função básica dos laterais e ainda são inseguros no esquema defensivo, apesar de terem jogado bem, o que não garante que eles subam com tanta facilidade, pelo mesmo senso de responsabilidade que tem o Ronaldinho Gaúcho.
8. Roberto Carlos isiste em cobrar faltas pela seleção. Adivinha quantas vezes ele treinou cobranças de falta desde que os preparativos da Copa começaram? Até Rogério Ceni, a passeio na Alemanha, treina mais que ele. O mesmo Roberto Carlos de vez em quando apaga na marcação, incomum no caso dele, algo que deve ser da tensão da estréia.
9. Adriano sofre com a presenca de Ronaldo, porque ele mesmo não é versátil o suficiente para exercer uma função na qual, dentro do atual elenco, ele não é o melhor.
10. Kaká fica sobrecarregado, pois com tanta marcação, alguém fica um pouco mais livre e nesses dois jogos foi ele, até por se movimentar mais.
11. Zé Roberto foi eleito o melhor da partida, é um craque, mas ainda não apresenta brilhantismo para o cargo de armador da selecão.
12. A atitude da seleção é extremamente cautelosa, o que facilita a atitude defensiva das outras seleções. Os volantes "mordem" muito atrás do meio campo, o combate fica perto da grande área e os chutes de fora, com uma bola mais leve viram frequentes contra nosso gol.
13. Expectativa. O Brasil sempre vem como favorito, principalmente tendo o melhor do mundo no elenco, além de Kaká, Ronaldo, Adriano e companhia. Somado a isso, a publicidade criou uma imagem que o próprio Parreira rejeita, a do futebol moleque. Antes que seja tarde, as pessoas precisam entender que a seleção não é um comercial da Nike. Infelizmente.
14. Parreira aposta, como é seu estilo, num futebol mais lento, de posse de bola. Combinado à atitude defensiva dos adversários, o jogo embola. Além disso, Parreira tem uma certa teimosia em manter o time titular intocado até muito tarde e também taticamente, quando escolhe dois atacantes iguais e ignora jogadores em fase meteórica, como Juninho Pernambucano que entrou, deu show em todos os amistosos e marcou gols, além de melhorar o desempenho da seleção, e Robinho. Parreira ainda é adepto de vitórias e acredita, não sem razão, que muito show pode acabar em circo. Então Parreira pega o melhor plantel do planeta e usa com parcimônia. A gente se engana, mas a verdade é que já poderíamos esperar isso.
15. Tensão da estréia. Ser eliminado na fase classificatória não é tão difícil assim, sendo que se um jogo for perdido a situação complica. A esoclha de Parreira, um cara precavido ao extremo, foi garantir, também não sem razão, a classificação sem sustos. A imprensa marca em cima, o mundo quer ver show, mas o esquema tá montado. A gente é que acha que dá pra ter espetáculo junto, como a Argentina de Peckerman. Mas Parreira, bem, o Parreira é o Parreira e talvez ele tenha uma estratégia segura nessa primeira fase. A segunda fase pode ser prevista, mas não garantida.