E 15 argumentos para cobrar o Brasil.
Todos os fatores explicam o desempenho acanhado do Brasil, apesar das vitórias. Mas há outros fatos que me impedem de justificar o comportamento da seleção. Visto todos esses fatos, cada um tira sua conclusão. Vamos lá.
1. Jogar com times de menor expressão não justifica um desempenho ruim. Um time do gabarito da seleção brasileira tem capacidade e obrigação de encontrar alternativas de ataque e pressionar de forma mais consistente sem deixar o adversário dominar o jogo. Afinal, o Brasil é que faz com que eles não tenham expressão. Não dá pra de repente entregar a bola e dizer, vai lá, me ataca.
2. Se não funcionam os dois atacantes fortes, o esquema tem que ser alterado. Se essa formação se mostrou ineficiente, apesar das vitórias, contra times retrancados por ser lenta e mais fixa, ela não deve ser retomada. Na Copa do Mundo não tem mais preparação, quem estiver melhor joga. Parreira entende de futebol e vê isso claramente, mas sabe-se lá porque ele mantem o esquema.
3. Ronaldo não vive boa fase. Paciência. Já teve duas chances e até pode jogar contra o Japão, mas ainda acho que ele não tem condições de jogo. Além de anular Adriano, ele atrasa o ataque. É esperar que ele melhore, porque é muito perigoso, mas precisa entrar no jogo e craque de seleção brasileira tem que estar acostumado com pressão da imprensa e jogar independente disso.
4. A subida dos laterais pode ser a principal fragilidade. Não ataco nesse ponto porque acredito que eles têm de ter segurança mesmo. Só o que eu ataco é que quando eles subam, que pelo menos eles adicionem perigo e não retirem.
5. Não justifica. Se o Ronaldinho Gaúcho não vai fazer o que faz no Barcelona, poderia se lançar mais ao ataque. Acho que é timidez excessiva, só isso, mas não combina com Copa do Mundo. Na armação, sem aparecer muito, tem feito bom papel. Ainda acho que o melhor é tirar um atacante e colocar o Juninho Pernambucano, liberando o melhor do mundo para ser o melhor do mundo. Caso contrário é melhor ele mostrar pro Zé Roberto que quem sobe ali é ele. É bom ele começar a destravar a defesa adversária e esquecer desse negócio de marcar, deixa pro Zé Roberto e até pro Kaká. Ele fica melhor colado nos atacantes.
6. Émerson é um bom marcador, mas está fora do lugar. Ele cansa invariavelmente porque tem que cobrir muitos espaços. A existência do quadrado abriria demais a seleção, mas Parreira previu isso, até demais, sendo que agora Kaká e Gaúcho exercem funções estranhas de marcação, nem tanto a Kaká, mas muito ao Ronaldinho. Dois atacantes redundantes poderiam dar lugar ao Juninho, que declarou que joga melhor como segundo volante e liberar os meias ofensivos para partir pra cima e ligar melhor o meio com o ataque. Assim, o Emerson poderia ter uma responsabilidade menor e garatir melhor a pegada no segundo combate, logo atrás do Juninho e do Zé roberto.
7. Ainda sou a favor do Cicinho, que cruza muito melhor que o Cafu. E do Gilberto, que está em melhor fase que o Roberto Carlos. Se os laterais estão inseguros no esquema e preferem garantir a defesa, ótimo. Mas quando sobem, têm a obrigação de acertar e liberar os meias ofensivos para infiltração pelas pontas. Quem conhece o Cicinho, seja de São Paulo e Copa das Confederações, sabe que ele cruza milimetricamente e apóia perfeitamente no meio, com fôlego igual ou melhor que o do Cafu, além de estar paranóico pra mostrar serviço. Mas Parreira confia nos nomes dele e não deve abrir mão. Não é de surpreender que na Copa das Confederações, com Cicinho e Gilberto, a seleção tinha muito mais qualidade pra chegar ao ataque pelos lados, contando com gols provenientes desses cruzamentos, coisa que a seleção não faz com seus atuais titulares há tempos. Roberto Carlos, que antes tinha o poder do chute, agora é um atraso. Por mim, estariam ambos no banco. Cafu com mais dor no coração, por ser o líder, mas como bem disse o Dunga, falta liderança e ele não está gritando com ninguém. O Cafu é muito boa praça, pra ele tá tudo bem sempre. Deixa o Ronaldinho Gaúcho exercer a liderança bem à brasileira que ele exerce no Barcelona, de incentivar todo mundo, de motivar.
8. Não me interessa que o Roberto Carlos bate forte. Ele não treina e não acerta, óbvio. Quem acerta sem treinar? A calibragem fica desatualizada. Inda mais com bola nova. Não quer treinar? Banco. Vacilou na defesa uma vez, acontece. Duas vezes, sussa. Se errar mais uma e continuar tomando bola nas costas, é banco. Inaceitável.
9. Não é versátil? Sai um ou outro. O Adriano, se chutar do meio campo leva perigo. Então deixa ele, que ainda é jovem e tem mais disposição. Os dois juntos não funcionam e está provado. Ou Robinho ou Juninho Pernambucano, embora eu prefira a segunda opção.
10. Kaká é o melhor do Brasil. Se o desempenho dele cair, é compreensível pela sobrecarga. Os outros é que tem que melhorar.
11. O Zé Roberto sofre com a troca com o Ronaldinho Gaúcho. Ele tem que se manter mais atrás e liberar o Gaúcho. Como Ronaldo, ou acerta o toque de bola ou sai. Ele é craque, é um dos pontos base do esquema do Parreira, mas como disse o Tostão, para armador de seleção, falta mais. Apesar disso, reconheço que ele é craque e versátil como poucos.
12. O Brasil não sofre com o favoritismo? Então também tem que aproveitar. Os outros vem fechados, a gente vai pra cima, sem loucuras mas tem que ser agressivo. Apertar no meio campo e sair no ataque. Se receber os times no campo de defesa, corre riscos desnecessários e perde espaço no meio campo, além de na hora de atacar ter que percorrer um espaço maior, distanciar os homens de ligação dos atacantes e desgastar todos fisicamente. Na minha opinião, não é desculpa.
13. Compreensível até agora. Classificados, têm que mostrar a que vieram. Passou a tensão inicial, pegou o ritmo de jogo. Agora é partir pra cima. Jogador que sofre com expectativa e cobrança não pode atuar pela seleção. Craque vai lá e faz.
14. Mas nem tanto. Prevenir é importante pra não tomar gol, mas evitar atacar para se expor é coisa de seleção pequena. Minhas alterações, como eu disse nas linhas acima, seriam para colocar o time mais ofensivo de fato, e não só no papel. O estilo de posse de bola é do Parreira e é a cara dos times dele, nesse ponto concordo com ele. Mas posse de bola com o time marcando atrás do meio campo? Posse de bola onde? Na defesa? Tem que dominar o meio campo. Prevenir sim, não jogar não!
15. Agora que já classificou, não cola mais essa desculpa. Agora que todos já conhecem o time do Parreira, ou pelo menos lembraram como ele gosta de fazer, já podem entender que não vai ter carretilha e pedalada a mais da conta. Mas o time deve mostrar o show em gols, coisa que é capaz de fazer e se jogar de outra maneira, estará negando a própria essência. O que resta, na minha opinião é casar o estilo do Parreira com o estilo dos jogadores. O jogo do Japão deve vir em boa hora. Porque será o último. Acredito no time, mas falta.

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